POESIAS


veneno

Angústia toma conta do corpo,
toma conta da minha mente.
Me faz ficar dormente,
Envenena meu ânimo.

Envenenamento consciente,
Digo sim à injeção.
Tristeza enche a seringa,
Mililitros de insatisfação.

Bruna Capraro


bytes

Esses números me incomodam,
Não deviam estar entre nós.
São quilômetros e quilômetros
Que me fazem insatisfeita.

Essas rodas, asfalto, placas.
Me atormentam como um pesadelo.
Fios, teclas, bytes.
Não se fazem suficientes.

Quero viajar nas estrelas,
Na noite dessa estrada.
Num 'click' te alcançar.
E te dar gigabytes de amor.

Bruna Capraro


escrevo

Para afogar as mágoas,
Transbordar desabafos em rimas,
Fazer tempestades com vírgulas,
Para viajar neste mar.

Desafiar monstros submersos,
Sem medo, desbravar.
E no fundo guardo os tesouros
Que da minha vida não deixo escapar.

Bruna Capraro


mundos

Curitiboca na cidade maravilhosa.
Cegando os banhistas, a branquela
Vê a morena da pele brilhosa
Se torrar na praia de Ipanema.

Lagarta carnavalesca
Mostra o corpo que requebra
Pra lá e pra cá
Nessa música furreba.

Isso nada me acrescenta,
Isso nada me alegra,
Uma festa de um povo
E eu de outro planeta.

Bruna Capraro


amor de ateu

Essa distância que a vida fez
Entre meu amor e eu
Poupa-me o prazer, mas é a escassez
Que me faz crer.

Ser crente no amor
É melhor que crer em algum deus
Pois sinto o teu calor
E vejo o amor nos olhos teus.

Bruna Capraro



colorida

Menina das madeixas loiras
Menina real
Veste roupa bonita
Cores que se amam
Verde, roxo e laranja.

Amiga-irmã
que colore minha vida
Com meu jeito bicolor
Me faz crer na vida
Estampa em mim o amor.

Bruna Capraro